Arquivo 2003 o leque perfurmado | Thierry Simões

 

Thierry SimõesLeque Perfumado


Assumindo o desenho como programa que envolve a vida num processo de permanente atenção e detenção de posições, transformações e momentos, Thierry Simões apresenta nesta exposição uma série de novos trabalhos que se distinguem pela sua qualidade de presença quase ausente, tanto quanto pelas ausências quase presentes que apenas enunciam. Respiração. Leveza. Agitação.

Respiração . O desenho no ar.
Na quase ausência do ar em torno de cada traço e de cada figura; a presença quase ausente do movimento, do leque que se agita. Movimentos que se repetem na ascenção e queda do olhar pela superfície de cada folha.

Na quase presença do perfume, que se regista nas palavras de dedicação — mais que na dedicatórias — com que Thierry regista e data, e com que desenha e escreve o processo e a intenção que seguiu. E a quase presença do lápis, que se revela através da sua passagem repetida no mesmo lugar .
Inspirar e expirar. Aguça e traça. Pausar.

Leveza . O desenho pelo ar.
Figuras humanas amigas. A qualidade do perfume. Imagens levemente desenhadas ; não forçadas à presença. Momentos de registo e de desejo, tão concentrados quanto dispersos — próximos, juntos, familiares. Aglomerados até à marca do gesto vincado, deixada no barro ; dispersos até ao corte e à separação no emolduramento.
Agressão ligeira do ar pela leveza — na quase ausência da força/do esforço, apenas o impulso original e a intenção que se continua. Agressão ligeira do ar pelo espaço — e a quase ausência de ocupação, na figura convidada e quase expulsa, que se percebe pelos contornos.
Indícios na superfície. Uma ténue apresentação. Uma forte simplicidade.

Agitação . O desenhar do ar.
O ar quase não resiste. Um perfume quase não sente. Cada desenho apela ao acompanhamento do seu movimento ; a atenção mantém-se dispersa e procura fixar-se. É-se levado a acompanhar o traço e a recuar até ao desejo que orientou cada um no seu momento — por isso ficam isoladas as figuras, como momentos especiais e diluídos. A agitação do ar passa em frente ao rosto, no olhar do espectador. Uma aragem que se dispersa e se concentra e volta a dispersar.
Brevemente, presença e ausência. De passagem.

Um leque . Corrente de ar.
Tomado como registo e assimilação de gestos e movimentos cruzados — do mundo a representar e do próprio acto de registar —, este conjunto de desenhos de Thierry Simões parece tocar as relações de vaivém entre a contiguidade e a interrupção, o afastamento e a aproximação, como constantes oscilações pendulares de um desejo estabilizado. O tempo como o ar.
Aceitação e risco. E também o risco de aceitar.

Manuel Rodrigues Outubro 2oo3

 


 

Nota de Imprensa

o leque perfumado

De 1 de Novembro a 22 de Novembro de 2003


Temos o prazer de anunciar a inauguração de uma exposição de desenho de Thierry Simões. Sendo a 2ª. exposição apresentada pela Artadentro, é a primeira em que a totalidade das obras é realizada dentro do espaço da galeria onde o artista residiu durante cerca de três semanas.

Thierry Simões nasceu em Paris em 1968. Em 1987 vem para Portugal passando a residir em Lisboa. Estuda pintura no Ar.Co de 1987 até 1990, e mais tarde, em 1998, realiza no Ar.Co o Projecto Individual na disciplina de Desenho. Após um período como professor convidado, passa em 2000 a professor efectivo do Ar.Co.

Embora a sua obra não tenha ainda obtido a atenção que merece, Thierry Simões é hoje em Portugal, um dos mais importantes artistas a praticar o Desenho como a sua disciplina plástica de eleição.

Para Thierry Simões o “desenhar não começa quando se agarra no lápis”, é “…un état. Une sucession d'états”. Assim sendo, tudo faz o desenho; o passado e o presente; o local onde se está, o que se come, com quem se está, a sua própria disposição interior, etc. Embora tudo isto seja válido para qualquer obra de qualquer artista, o que é importante para a compreensão da obra de Thierry Simões, é a utilização consciente destes factos, uma vez que o artista se coloca propositada e abertamente perante situações novas, dispondo-se física e mentalmente a tirar destas, de maneira natural, a sua própria obra.

ARTADENTRO,
Vasco Vidigal


2011

Radiação (Edição1)

Viver mata | Vasco Vidigal

"Instantanés" | Exposição Colectiva

Colapso | Vasco Vidigal & Carlos Norton

2010

Radiação (Edição 0)

folhas, páginas e outros desenhos | Isabel Baraona

2009

folhas, páginas e outros desenhos | Isabel Baraona

Subtle Feelings | Lisbeth Moe Nilsen

Black Mountain | Paulo Brighenti

Incito | Ana André, Manuel Rodrigues, Teresa Ramos e Vasco Vidigal

Landscape Memories | Ângelo Encarnação

Resort | Pedro Valdez Cardoso

Prólogo | Colectiva de desenho

Fosa Común | Rafa Sendín

I Put a Spell on You | Ana Borralho & João Galante

Queda | Marta Caldas

2008

Queda | Marta Caldas

Cycle | Maria Soilen Jahr

Promised Land | Ângelo Encarnação

Desenho | Tatiana Amaral

2007

quando a estrada acaba | Vasco Célio

Pintura | Diogo Guerra Pinto

Around | Ana André & Vasco Vidigal

kjdfjkndf (gestu) | Diogo Pimentão

Pintura | Juliano Gomes

100 x 100 | Silvia Cavelti

Animal - Carnival | Tomás Colaço

"Beat Around the Bush" | Vasco Vidigal

2006

"Beat Around the Bush" | Vasco Vidigal

manto | Tatiana Amaral

Cíclico | Maria José Oliveira

Massa Damnata | Soraya Vaconcelos

Em Andamento | Ana André e Teresa Ramos

2005

TRACTOR - Exposição Colectiva de Artes Plásticas

Sete Dias | Sara Maia

La Luce Bianca | Paulo Brighenti

Verão Azul | Arlindo Silva

Viagens II | Ana Isabel Miranda Rodrigues

"O Atelier..." | Fernando Pinheiro, Viviane, Tó Viegas

Pintura | Silvia Cavelti

2004

Light & Fire | Ângelo Encarnação

Fotografia | Karolyn Morovati

Pintura | João Queiroz

A Duas Agulhas | Joana Vasconcelos

Flutterbies | Vanessa Chrystie

Pintura | Ana André

Aguarelas | Teresa Cálem

Game of Life (Jersey Edition), 2003 | Catarina Campino

2003

Pintura | Juliano Teixeira Gomes

o leque perfurmado | Thierry Simões

Desenho | Manuel Baptista